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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Enfim, sós!

Não passo por aqui desde que minha saga casamentícia começou a esquentar... Os preparativos, o outro blog, a lua de mel, as listas de presentes, enfim, tudo me dificultou a frequência! Peço desculpas pela milionésima vez...

Bem, considerando que o tema casamento não me abandonou ainda, afinal de contas, nem três meses se passaram, venho, mais uma vez, dar meus pitacos sobre isso... A origem deste post remete a uma notícia recente sobre um querido amigo meu (já aviso que não vou citar nomes por aqui...), que, no auge de seus 20 aninhos, anunciou o seu casamento. "Opa! Pára tudo! Como assim?!" (Estão vendo? Já sei como vocês estão reagindo. E eu também reagi assim.) E digo mais: a questão da idade não foi dos maiores agravantes.

O meu amigo fofo conheceu a sua agora-noiva há apenas três meses atrás. E eles se encontraram 'fisicamente' umas três vezes. E se falaram virtualmente umas três centenas de vezes. E todo mundo não consegue entender o que está acontecendo com o cara-projeto-de-garanhão do grupo.

É claro que, depois de tomar conhecimento de tudo isso, foi impossível não pensar na minha própria experiência, nas coisas que já assisti por aí, nas consequências de se casar mais cedo ou mais tarde, nas partes boas e ruins de uma relação entre duas pessoas debaixo do mesmo teto. Enfim: estou preocupada com meu amigo.

Antes de oficializar o casamento, eu e o Marcio já morávamos há algum tempo juntos, por questão de logística (e outras cositas más...). Somando tudo, desde o dia em que nos conhecemos até o dia do casamento, passaram-se 3 anos, 7 meses e 9 dias. É óbvio que jamais vou dizer que eu o conheço muito bem, porque muito tempo se passou, mas posso afirmar que tive algum tempo para avaliar alguns aspectos que acho relevantes sobre a personalidade dele, os hábitos, as manias... 


Não sou nenhuma mestre no quesito casamento, mas já concluí que a vida de casado merece um tratado! Tudo é muito complexo, mesmo já tendo algum conhecimento sobre o parceiro. Já quis matar o Marcio algumas vezes, já quis viajar pra algum lugar bem longe e SOZINHA, já curti e odiei a rotina... É muita coisa! ;)

No final, o que me mantém com ele é um amálgama de sentimentos que vai desde a parceria, passa pela paixão pelo amante e termina no amigo. Acho que é isso que pode definir amor. Pelo menos, pra mim. E tem mais: descobri também que eu não amo o Marcio todos os dias. Ninguém consegue fazer isso. Tem dias em que você está emburrado, de saco cheio e não vai conseguir dizer que ama honestamente. Então, é melhor não fazer. E a pessoa que está com você tem que entender isso. Do contrário, não tem futuro.

Outra coisa: ninguém é de ninguém. É a mais pura verdade. Não dá pra achar q o outro vai te pertencer depois do casamento. Aliás, para o bem do casamento, é melhor que os dois tenham seus amigos juntos e separados da relação, que tenham relações fortes além daquela que existe com o parceiro. Isso ajuda a aliviar a pressão.

Last but not least, e já falei sobre isso aqui no blog, a gente tem que se casar pelo motivo certo. Não o que todo mundo diz que é certo, mas o seu motivo certo, aquele que vai sustentar a sua motivação naquela relação. Afinal, quem vai encarar o "enfim sós" é você e  quem você escolheu para estar lá.



quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Sobre o "para sempre"

Alguém deixou um comentário num dos meus posts e, para respondê-lo, parei para pensar um pouco mais sobre essa história de relação à dois, amor, coisa e tal. Decidi, além de produzir um comentário, desenvolver um pouco mais a ideia...

Eu vou me casar. Sim, eu não pensei que esse dia fosse chegar e confesso que ainda fico com a sensação de que não acredito que isso está acontecendo na minha vida, toda a coisa de planejar cerimônia e festa, escolher vestido, decidir os presentes. Às vezes vem a impressão de que alguma coisa vai dar errado e nada vai acontecer pra valer. Acho que é por isso que não havia falado disso por aqui no blog até agora: o medo de fazer publicidade de uma coisa que não vai acontecer. Esse é um fantasma que eu estava carregando. Aliás, esse é um fantasma que continuo carregando... Percebi isso quando fui provar meu vestido pela primeira vez ontem.

A verdade é que não pensei que fosse me casar. Achava que, assim como tudo na vida, algumas pessoas fossem fazer isso e outras não, assim como algumas vão fazer pós-graduação e outras não. Já tinha desistido da ideia. E sabe por que? Porque não acredito que as pessoas devam se casar pelos motivos errados. E isso é o que eu mais vejo por aí. E sempre pensei: assim eu não quero. Não quero dividir minha vida e meus planos com alguém por dinheiro, porque o cara é lindo, por uma oportunidade de morar no exterior, ou porque não quero morrer solteira.

Outra coisa que comecei a perceber ao longo da minha vida foi que as pessoas idealizam demais. Elas se agarram aos seus sonhos e ficam tentando colocar outras pessoas neles. E, a partir daí, tá valendo tudo. A garota acha que o cara vai se casar com ela porque o beijo deles foi incrível, o cara acha que a garota vai abrir mão dos amigos porque ele é "o cara", a menina acha que o garoto vai parar de sair com os amigos depois de se casar com ela, o garoto pensa que a garota vai se converter à religião dele e não vai mais beber aos domingos. Poderia fazer uma lista imensa dos absurdos que eu já assisti ou já ouvi falar a respeito. No final, o resultado é sempre o mesmo: seres humanos esperando a fantasia e não vivendo a realidade.

Acredito, ainda, que o pior disso tudo é o rótulo. Todos dizem que amam. E não percebem que amam aquilo que idealizaram, não aquilo que é real, que é humano. É fácil amar aquilo que você sonhou e inventou. Carreguei muitos príncipes comigo e muitos deles não mereciam o título. Ou não queriam. Confesso que já idealizei muito, já criei muitas expectativas, e acabei não enxergando o que estava bem diante dos meus olhos. Talvez, por isso, alguns dos meus relacionamentos duraram muito mais tempo do que deveriam.

Aos poucos, comecei a buscar mais seres humanos do que super-heróis. Posso dizer que larguei as idealizações. Penso, hoje, que isso é fundamental para construir a tal relação que vai seguir por muito tempo. É por isso também que decidi casar somente agora; não havia encontrado uma pessoa que entendesse a minha humanidade, que me amasse pelo que sou, não pela possibilidade, e que eu amasse em retorno.

E foi num dia frio, enquanto estava sozinha no meu apartamento em Londres, que recebi esta mensagem:

"Apaixonar-se é projetar o que há de melhor do ser de uma pessoa sobre outro ser humano, é ver a sua própria imagem de divindade no outro. Por isso não sou apaixonado por você Little Bi, eu vejo a divindade que há em você e é por isso que eu te amo, pelo que você é."


E, naquele dia, percebi tive a confirmação de que já tinha encontrado a pessoa com quem queria dividir a minha vida e os meus planos (suspiros). O percurso até aqui não foi tranquilo. Nem tem que ser. Afinal de contas, não há rede de proteção para esse trapézio. Nem há rascunho. Há apenas a vontade de fazer o melhor.


"Que seja eterno enquanto dure." Amém.


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Descompasso

O bicho carpinteiro da curiosidade estava lá. Ela dormia, acordava, trabalhava e não conseguia parar de imaginar o que aconteceria se enterrasse de uma vez por todas o que tinha com ele. Já não sabia mais por onde ele andava, o que fazia da vida, afinal de contas, não se falavam há muito tempo. Mas a sombra do que viveram juntos ainda permanecia dentro dela, numa esquina que, ultimamente, estava sendo muito visitada.
Numa noite dessas, decidiu enviar uma mensagem para o número de celular que ainda tinha na memória. Não sabia se funcionaria, o número ou a mensagem. Nem sabia o quê escrever... Ficou ali por horas, celular na mão, mil ideias na cabeça. "Já sei!" E enviou: "Me ligue." Incrível como o sistema de mensagens é rápido! Um minuto depois de pressionar "enviar", o telefone começou a tocar. Era ele; mesmo número, mesma ansiedade por falar. Aliás, o quê falar? Disse "oi" e esperou pelo que viria.
"Que surpresa!"
"É, eu sei. Nem eu imaginava isso."
"E aí?"
"Ããã?"
"E aí? Qual é?"
"Sei lá. Achei que deveria te procurar, dizer alguma coisa. Tenho pensado muito no que seria se a gente se encontrasse de novo, amadurecidos, alguma bagagem diferente."
"Claro! Vem pra cá!"
"Ããã?"
"Quando você pode vir pra cá?"
"É... Não sei. Eu te ligo amanhã. Tenho que desligar."
"Não. Eu te ligo. Me mande uma mensagem, como você fez hoje."
"Tá. Tchau."
Trinta e sete dias se passaram. Ele não ligou. Ela tampouco. Mas, quarenta e um dias depois, ela enviou uma mensagem direta: "Me encontre em 3 horas." Vinte e três minutos depois, o telefone toca:
"Quê isso?! Em 3 horas?"
"É. Se não for isso, vai ser difícil a gente ter outra oportunidade de se encontrar."
"Tá bem. Mas vai ser difícil... Dane-se. Eu vou. Onde é que eu te encontro?"
"Você se lembra daquela livraria que eu gosto tanto? Te encontro lá."
"Claro que me lembro. Em 3 horas a gente se vê. Beijo."
Escolheu um sofazinho charmoso, pensou em dúzias de frases para despejar. O telefone tocou.
"Tô chegando. Vem pra entrada."
Teve a sensação de que aquilo não seria como havia imaginado. Oito minutos depois, ele apareceu. Entrou no carro. Trocaram sorrisos nervosos. Ele sabia o quê fazer porque dirigia; ela abriu a própria bolsa e começou a procurar não-se-sabe-o-quê.
"E aí?"
"Ããã?"
"Você pensou em algum lugar?"
"É... Eu..."
"Sugiro um lugar aqui perto, que eu não conheço, mas dizem que é legal."
Duas esquinas depois, velocidade reduzida. 
"A gente vai passar a noite?"
Ããã?"
"Peço 3, 6 ou 12 horas?"
"Eu não pensei em vir pra cá."
"3 horas, então."
...
"Você já se casou?"
Ficou sem palavras. Como é que ele sabia daquilo?
"Na semana que vem."
"Normal. Muita gente faz isso na véspera, sabe como é."
"É, sei."
...
"Bom, foi legal te encontrar de novo! Sinto falta de conversar com você!"
"É, foi legal te encontrar. Se cuida."
...
E o bicho carpinteiro morreu, assim como a poesia.

Bicho carpinteiro, por Marta Martins (http://br.olhares.com/bicho_carpinteiro_foto1740681.htm).




quarta-feira, 1 de julho de 2009

Terapia de Casal

Para terapias de casal, música da Banda 'The Raconteurs'. Aproveitem.

Many Shades Of Black



Go ahead, go ahead,
And smash it on the floor
Take whatever's left
And take it with you out the door...

See if I cry,
see if I shed a single sorry tear
I can't say that it's been that great
No, in fact it's been a wasted-free year

Everybody sees
And everyone agrees
That you and I are wrong
And it's been that way too long

Take it as it comes
and be thankful when it's done
There's so many ways to act
and there's many shades of black
There's so many shades of black
There's so many shades of black

Let it out, let it all out
Say what's on your mind
You can kick and scream
and shout and say things
That are so unkind.

Yeah,
See if I care
And see if I stand firm or if I fall
Cause in the back of my mind,
and on the tip of my tongue
is the answer to it all...

And everybody sees
And everyone agrees
That you and I are wrong
And it's been that way too long

Take it as it comes
and be thankful when it's done
There's so many ways to act
and there's many shades of black,
There's so many shades of black,
Yeah, there's many shades of black

Yeah...
Everybody sees
And everyone agrees
That you and I are wrong
And it's been that way too long

So take it as it comes
and be thankful when it's done
There's so many ways to act
and you cannot take it back
no you cannot take it back
there's so many shades of black,
There's so many shades of black,
Yeah, there's many shades of black


Vários Tons de Preto

Vá em frente, vá em frente,
E quebre isso no chão
Pegue o que sobrar
E leve embora com você...

Veja se estou chorando
Veja se derramo uma só lágrima
Não posso dizer que foi ótimo
Não, na verdade foi um ano livre desperdiçado

Todo o mundo vê
E todo o mundo concorda
Que eu e você somos um erro
E foi assim por muito tempo

Aceite a realidade
E fique satisfeita quando isso acabar
Existem muitas maneiras de agir
E existem vários tons de preto
Existem vários tons de preto
Existem vários tons de preto

Coloque pra fora, coloque tudo pra fora
Diga o que você pensa
Você pode chutar e berrar
E gritar e dizer coisas
Muito rudes

Sim,
Veja se eu me importo
E veja se eu permaneço firme ou se desmonto
Porque na minha cabeça,
Na ponta da minha língua
Há resposta para tudo isso...

Todo o mundo vê
E todo o mundo concorda
Que eu e você somos um erro
E foi assim por muito tempo

Aceite a realidade
E fique satisfeita quando isso acabar
Existem várias maneiras de agir
E existem vários tons de preto
Existem vários tons de preto
Existem vários tons de preto

Sim,
Todo o mundo vê
E todo o mundo concorda
Que eu e você somos um erro
E foi assim por muito tempo

Então aceite a realidade
E fique satisfeita quando isso acabar
Existem muitas maneiras de agir
E você não pode voltar atrás
Não, você não pode voltar atrás
Existem vários tons de preto
Existem vários tons de preto
Sim, existem vários tons de preto.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

E eles não foram felizes para sempre.

Porque os corações serão sempre magoados. Sim. Foram criados para serem magoados, esmagados, não levados em consideração. É uma questão de tempo. É cíclico. E é uma espiral ascendente. Vêm dor, lágrimas, vontade de sumir, pensamento que não varia, uma, duas, três garrafas de vinho. E quando se pensa que tudo acabou, que a fase ruim ficou para trás... Vêm dor, lágrimas, vontade de sumir, pensamento que não varia, uma, duas, três garrafas de vinho novamente. Mas não é igual. Jamais será. Porque cada um que vai deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. É fato. Não dá para sair imune, ileso, inteiro. É essa a questão para os não-finais felizes. Jamais existirão finais felizes. Desculpe decepcioná-lo, mas não creio que histórias se fecham, portanto, não há como avaliar os finais. Existe apenas um entra e sai, um vem e vai de pessoas. E nesse trânsito não há regras, não há normas, há apenas você e sua capacidade de se recompor a cada vez que seu coração-feito-para-ser-destruído é colocado à prova. Não, a outra pessoa jamais estará inteira com você. Não, você jamais estará inteiro com esta outra pessoa. Sim, a outra pessoa quer ganhar com a relação. E você também. E no momento que a balança for desfavorável, 'au revoir'. Não há como escapar disso. Portanto, pare de achar que 'desta vez vai dar certo' ou 'encontrei a pessoa certa pra mim'. Nada disso é totalmente possível. Existem oportunidades de estar bem, satisfeito e feliz. Aproveite as suas e se prepare para a queda. Ela vai acontecer quando você menos esperar.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Paralelos

Mais um conto meu...

Há exatos três meses já não se falavam. O silêncio já tinha se tornado tão denso que era possível perceber a espessa parede que os separava. Tudo estava resumido numa só lembrança que já havia sido compartimentada em alguma esquina da sua memória... Observava a paisagem que corria pela janela do carro, quando escutou o som que vinha do telefone. Uma mensagem, e não uma mensagem qualquer, era responsável pela interrupção do silêncio.

Há exatos três meses teve notícia dela. Percebeu, ao acordar naquele dia, que o denso silêncio revelava a distância que surgia, fazendo com que o medo da real perda o invadisse cada vez mais. Saiu da cama e decidiu esquecer de lembrar-se dela.

Abriu a bolsa e encontrou o telefone. Expectativas à parte, avançou para o aparelho e... Não. Por que ele decidiu quebrar o silêncio? Por que uma mensagem? Relutou. Não sabia se queria saber dele.

Ligou a televisão. Esse é um dos seus filmes favoritos. Ela sempre falava desse filme... Trocou de canal. Culinária. Comida chinesa... Sempre comíamos naquele restaurante... Nosso segundo encontro... Trocou novamente de canal.

Por que ler? Por que ter acesso ao que ele pensa ou quer dizer? Mais uma vez: tudo já estava resumido e compartimentado em alguma esquina de sua memória. Desarquivar? Não... Deixou o aparelho de lado.

A televisão não estava disposta a colaborar com ele. Decidiu tomar um banho, deixar que a água levasse aquele coquetel de sentimentos embora. Ao entrar debaixo do chuveiro, percebeu que não tinha mais sabonete. Abriu o armário e lá estava ele: o último frasco de xampu deixado por ela.

Voltou a observar a paisagem que corria pela janela... A curiosidade tomou conta do espaço: precisava ler a mensagem, saber que palavras estavam esperando por ela. Avançou contra o aparelho novamente.

Chorou. Chorou tanto que o chuveiro não conseguia disfarçar a tristeza e o arrependimento que brotavam dos olhos. Preciso dizer o que sinto e tenho que ser rápido. Não posso ligar... Uma mensagem, o registro por escrito daquilo que quero. Preciso consertar isso. Preciso.

Correu os olhos pela longa mensagem, analisando cada palavra, interpretando cada expressão... No rádio, "The Hardest Part" preenchia o carro... Adeus, choro, tristeza, mágoa. Correu os olhos pela mensagem mais uma vez. Sorriu. Ele quer... Sorriu mais uma vez. Ele ainda pensa... Ele está arrependido.

Será que consigo tê-la novamente? Esperou a resposta para sua longa e desmedida mensagem, escrita com tanto esmero e dedicação.

Gargalhou. Riu tanto que já não tinha mais fôlego para sustentar aquele momento de êxtase. Depois de três meses ele conseguiu proporcioná-la um prazer tão intenso! Se soubesse, já teria lido a mensagem assim que a recebeu! Sentiu vindo de seu âmago duas palavras: bem feito. Sim, o sabor do troco silencioso era sorvete de pistache coberto com chantilly! E ela saboreou aquele momento que não parecia ter fim.

domingo, 28 de outubro de 2007

O Começo

Decidi postar um conto meu hoje... =)

Sentia por dentro que aquele seria o último encontro. Estava sentada, lendo o livro que acabara de comprar, o suco de abacaxi com hortelã quase no fim, quando ele se aproximou, agigantou-se ao seu lado. De sua cadeira o avistava e pensava que o tempo deveria parar, petrificando assim o toque em seu ombro. Sentiu o sangue mais uma vez ebulir, trazendo a sensação de plenitude que tantos buscam, mas que poucos encontram. Não é preciso ser sábio para perceber o toque da plenitude, mas é preciso ser muito estúpido para jogar tudo fora e desperdiçar o que é sublime (existem mais estúpidos que sábios na face da Terra). Levantou-se, pagou o suco.


Caminharam abraçados em direção à casa dele. Os passos descompassados pela diferença de altura sempre a fizeram se esforçar mais para acompanhá-lo. Ao entrar, seus olhos percorreram a sala e pôde perceber que poucas coisas mudaram de lugar. Lembrou-se, então, do bilhete que encontrou por acidente; sentiu que não fazia mais parte daquilo. Teve vontade de correr, sair de lá, mas terminou seguindo-o até o quarto, onde se abraçaram. Mais uma vez, foi lembrada de porque o amava; o conforto do abraço, o ebulir do sangue, um suspiro. Olhou a gaveta. Gaveta, bilhete. Sim, o bilhete. "Você também está se tornando importante prá mim." Também, importante. "Somos o casal do milênio." Casal. Também, importante, casal. Casal, também, importante. Uma dor aguda apertou-lhe o peito. Sabia que não podia cobrá-lo por nada. Sabia que não podia impedí-lo de nada. Nada. Nada era sua condição.


Chorou o choro da impotência e o apertou até sentir que seus braços não conseguiam mais. Ela não conseguia mais. Ela não podia mais nada. Nada. Mas barganhou, apostou na declaração do carinho e da atração que sentia por ele. Teve, então, o rosto segurado por duas mão frias e ouviu: "Eu seria louco se voltasse prá você agora." Nada era realmente a sua condição. Existem mais estúpidos na face da Terra que sábios. Também , importante, casal. Também, importante. Também sou importante. Recolheu sua bolsa, Crime e Castigo já estava debaixo do braço. Disse adeus. Ouviu: "Me ligue quando quiser." Buscou a porta. Sentiu por dentro que aquele seria o último encontro. Olhou para trás. Os pés estavam presos ao chão. Não conseguia jogar fora o que sentia. Existem mais estúpidos na face da Terra que sábios. Sim, precisava ser estúpida. É preciso ser estúpido para tornar-se sábio. Chorou e olhou a capa do livro. Ouviu: "Volte sempre. Sabe que tenho muito carinho por você." Carinho? Volte sempre? É, quem te ama vai te magoar. Crime e Castigo. Pensou mais uma vez na sua condição. Nada. Alcançou a saída do prédio. Chovia. E rumo ao nada seguiu.

domingo, 7 de outubro de 2007

Por onde anda você?

Por onde anda você?
Aquele que me decifra só com um olhar,
Que me faz companhia em pensamento,
Que me toca como se tudo fosse acabar.

Por onde anda você?
Que me ama por inteiro,
De janeiro a janeiro,
E me traz paz no caos e vice-versa,
Me diga onde.

Me diga onde,
Porque é aí que eu deveria estar,
Ocupando o meu espaço,
junto daquele que eu irei pra sempre amar...

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Silêncio

Um pouco de Depeche Mode hoje!!!

Enjoy the Silence

Words like violence
Break the silence
Come crashing in
Into my little world
Painful to me
Pierce right through me
Can't you understand
Oh my little girl

All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

Vows are spoken
To be broken
Feelings are intense
Words are trivial
Pleasures remain
So does the pain
Words are meaningless
And forgettable

All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

Enjoy the silence

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Vermes

Eu deveria escrever sobre vermes hoje. Sim, num acordo feito na mesa de um bar, comemorando o meu aniversário, topei escrever sobre vermes. Vocês sabiam que eles são os únicos seres capazes de serem sempre monogâmicos? Sim, porque, ao escolherem o parceiro, macho e fêmea se fundem. Parece papo de boteco mesmo, né? Pois é... Deixando de lado a veracidade ou não desta informação, o que vale é que elas se fundem, se fodem, são um. Lindo isso!!! Os vermes são lindos. Ao invés de serem dois, tornam-se apenas um. E eu que achava que o número um fosse o mais solitário... Mas há pluralidade no um. Existem dois no um. Fico pensando se é realmente possível essa fusão; dois parceiros que se encontram, se completam, se fundem... Fico pensando na possibilidade disso ser a chave para uma relação que dê certo. Apesar de serem dois, tornarem-se um, sem deixar de serem seres individuais. Complicado isso, à primeira vista, mas razoável após uma ponderação mais racional. Essa solução me parece boa porque, ao vermos essa unidade e percebermos que fazemos parte de algo maior, preservamos isso. Magoaremos menos e respeitaremos mais. Acusaremos menos e assumiremos mais. É, os vermes têm mesmo muito a ensinar para os meros seres humanos.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Please, take me back to the start.

Hoje acordei querendo voltar no tempo: queria uma máquina que conseguisse rebobinar minha vida. Queria voltar para o começo do meu findo relacionamento amoroso... Lá onde tudo começou não havia mágoa, ressentimento, impaciência, só havia esperança e a chance de fazer tudo certo. Aliás, o que é certo? O que é errado? Hoje, a impressão que tenho é que fiz tudo errado; e tudo parecia tão certo tempos atrás. O desejo de hoje, de voltar no tempo, é o desejo de ter uma chance de fazer diferente, de talvez aproveitar o crescimento de hoje para acertar no que já passou. Não consigo desligar meus pensamentos quanto às possibilidades impossíveis. Sim, impossíveis. Porque, embora crescemos com a experiência, não seremos outras pessoas. Não dá para comprar uma nova essência no mercado ou na padaria: somos quem somos. E talvez se fosse possível o tal retorno para o começo, agiríamos praticamente da mesma forma. Acredito que poucas coisas seriam diferentes: talvez um julgamento ou outro, mais paciência com os problemas, menos tolerância com a falta de respeito. E talvez estas poucas coisas fariam a diferença... Bem, nunca vamos saber! Nunca conseguirei a tal máquina, portanto nunca rebobinarei minha vida! Então, porque pensar nisso e desejar algo impossível? É melhor olhar para a frente, olhar para o hoje, porque isso é possível. Precisamos procurar as possibilidades possíveis e gastar nossa energia na construção da continuação da nossa história. O que passou, passou. Gone with the wind.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Dia Difícil

Depois de tudo, é isso o que eu quero dizer... Faço minhas as palavras de Nancy Wilson:

I Wish You Love
(by Nancy Wilson)

Goodbye, no use living with our sins
This is where our story ends
Never lovers, ever friends
Goodbye, let our hearts call it a day
But before you walk away
I sincerely want to say

I wish you bluebirds in the spring
To give your heart a song to sing
And then a kiss but more than this
I wish you love
And in July a lemonade
To cool you in some leafy glade
I wish you health and more than wealth
I wish you love

My breaking heart and I agree
That you and I could never be
So with my best, my very best
I set you free
I wish you shelter from the storm
A cozy fire to keep you warm
But most of all when snowflakes fall
I wish you love

My breaking heart and I agree
that you and I could never be
So with my best, my very best, I set you free
I wish you shelter from the storm
A cozy fire to keep you warm
But most of all when snowflakes fall
I wish you love ...

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Basta!

Colocar um ponto final nas coisas é extremamente necessário. Estabelecer o final das coisas, o seu limite, dizer que não há continuação. Sim, o ponto final existe para ser aplicado! Aliás, é usando o ponto final que delimitamos as histórias, todas as histórias. Sim, porque não há história sem fim, boa ou ruim. As histórias precisam terminar para que outras comecem. Não aplicar o ponto final é tentar evitar o final e enrolar um roteiro que, depois de muita postergação, fica chato, massante, enfim, se torna um brontossauro desmaiado sendo carregado nas costas. Ninguém suporta história enrolada que não acaba, né? Ao fim das histórias! Viva o ponto final!

sábado, 28 de abril de 2007

Irrealização

Os corpos não se encontraram num abraço. Os músculos não foram à falência. Mas os olhos se encontraram e, então, a interrupção. Como se o botão de pausa tivesse sido apertado, paramos. Interrompemos a nossa ânsia. Controlamos o que era incontrolável. E o que ficou foi a amarga saudade daquilo que não realizamos.