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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Saudade

Um dia, cantaram essa música pra mim... Não sei o nome da música, nem o compositor, muito menos o intérprete, mas ela faz muito sentido. Decidi postá-la hoje, num momento de nostalgia, pisando no Rio de Janeiro novamente.

"Saudade até que é bom.
Melhor que caminhar vazio.
A esperança é um dom
que eu tenho em mim.
Eu tenho sim."

domingo, 28 de outubro de 2007

O Começo

Decidi postar um conto meu hoje... =)

Sentia por dentro que aquele seria o último encontro. Estava sentada, lendo o livro que acabara de comprar, o suco de abacaxi com hortelã quase no fim, quando ele se aproximou, agigantou-se ao seu lado. De sua cadeira o avistava e pensava que o tempo deveria parar, petrificando assim o toque em seu ombro. Sentiu o sangue mais uma vez ebulir, trazendo a sensação de plenitude que tantos buscam, mas que poucos encontram. Não é preciso ser sábio para perceber o toque da plenitude, mas é preciso ser muito estúpido para jogar tudo fora e desperdiçar o que é sublime (existem mais estúpidos que sábios na face da Terra). Levantou-se, pagou o suco.


Caminharam abraçados em direção à casa dele. Os passos descompassados pela diferença de altura sempre a fizeram se esforçar mais para acompanhá-lo. Ao entrar, seus olhos percorreram a sala e pôde perceber que poucas coisas mudaram de lugar. Lembrou-se, então, do bilhete que encontrou por acidente; sentiu que não fazia mais parte daquilo. Teve vontade de correr, sair de lá, mas terminou seguindo-o até o quarto, onde se abraçaram. Mais uma vez, foi lembrada de porque o amava; o conforto do abraço, o ebulir do sangue, um suspiro. Olhou a gaveta. Gaveta, bilhete. Sim, o bilhete. "Você também está se tornando importante prá mim." Também, importante. "Somos o casal do milênio." Casal. Também, importante, casal. Casal, também, importante. Uma dor aguda apertou-lhe o peito. Sabia que não podia cobrá-lo por nada. Sabia que não podia impedí-lo de nada. Nada. Nada era sua condição.


Chorou o choro da impotência e o apertou até sentir que seus braços não conseguiam mais. Ela não conseguia mais. Ela não podia mais nada. Nada. Mas barganhou, apostou na declaração do carinho e da atração que sentia por ele. Teve, então, o rosto segurado por duas mão frias e ouviu: "Eu seria louco se voltasse prá você agora." Nada era realmente a sua condição. Existem mais estúpidos na face da Terra que sábios. Também , importante, casal. Também, importante. Também sou importante. Recolheu sua bolsa, Crime e Castigo já estava debaixo do braço. Disse adeus. Ouviu: "Me ligue quando quiser." Buscou a porta. Sentiu por dentro que aquele seria o último encontro. Olhou para trás. Os pés estavam presos ao chão. Não conseguia jogar fora o que sentia. Existem mais estúpidos na face da Terra que sábios. Sim, precisava ser estúpida. É preciso ser estúpido para tornar-se sábio. Chorou e olhou a capa do livro. Ouviu: "Volte sempre. Sabe que tenho muito carinho por você." Carinho? Volte sempre? É, quem te ama vai te magoar. Crime e Castigo. Pensou mais uma vez na sua condição. Nada. Alcançou a saída do prédio. Chovia. E rumo ao nada seguiu.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Coisinhas...

Arrumava as minhas malas para aproveitar as minhas merecidas férias, separando o que era necessário do que era extremamente necessário, quando me peguei encontrando objetos carregados de memória. Sim. Sabe aquelas coisinhas que ficam guardadas nos fundos das gavetas ou esquecidas numa mala, ou, ainda, perdidas no armário? Pois é. Estou falando dessas coisinhas que carregam consigo histórias gigantes, momentos marcantes, de riso e de dor, e que, ao pegá-las, a gente sente uma corrente passando por dentro, seguindo direto para o cérebro e sente, então, bater mais forte o coração. E a gente senta, pasmado, vendo um filme passar e revive tudo o que, provavelmente, sofreu para sufocar. Ou, ainda, se enche de entusiasmo ao tocar o ingresso do show daquela banda, momento no qual você atingiu o êxtase cantando com as mãos para o alto. Ou aquela caneta que já não escreve mais, mas foi a cúmplice de tantos cartões escritos em nome de um amor que jamais acabaria. Aquela meia que já não tem mais o par, mas que já te aqueceu tantas vezes naquelas noites solitárias em frente à TV na sala de estar...
Nós temos um museu particular dentro das gavetas, malas e armários que nos permitem fazer memória da nossa história, reviver sentimentos e, talvez, entender um pouco mais o que somos e como chegamos até aqui. Por outro lado, pra caminhar pra frente, creio que seja necessário jogar fora algumas coisinhas ou armários inteiros. Penso que a nostalgia pode ser altamente maléfica para aqueles que precisam descobrir o novo, desbravar o futuro. Não acho razoável ficar apenas preso ao passado, colecionando estes objetos em caixas sem fim. Até mesmo porque, dentro dessas mesmas caixas, estão estocados amarguras e rancores, além das alegrias e fervores. Uma faxina de vez em quando é pra lá de necessária pra deixarmos o peso do passado pra trás e conseguirmos a leveza necessária para seguir adiante.
Não sei porquê, mas me veio um trecho de música cantada pela Maria Bethânia nesse momento... Vou colocá-lo aqui:
"Cada um de nós compõe a sua história
e cada ser em si carrega o dom de ser capaz
e ser feliz."

domingo, 7 de outubro de 2007

Por onde anda você?

Por onde anda você?
Aquele que me decifra só com um olhar,
Que me faz companhia em pensamento,
Que me toca como se tudo fosse acabar.

Por onde anda você?
Que me ama por inteiro,
De janeiro a janeiro,
E me traz paz no caos e vice-versa,
Me diga onde.

Me diga onde,
Porque é aí que eu deveria estar,
Ocupando o meu espaço,
junto daquele que eu irei pra sempre amar...

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Dia dos Pais

Ontem foi dia dos pais. Há 12 anos esse dia me incomoda... Ao longo desse tempo tento desenvolver estratégias para fazer com que o dia passe, aliás, a época passe e eu não me machuque tanto com a falta do meu próprio pai. Dessa vez eu entrei num processo de alienação total no domingo: ouvi música, fiz faxina no meu quarto, vi dois filmes locados e não fui a qualquer restaurante ou shopping. Tudo para me manter longe do mundo que celebrava a presença dos pais.
Eu sei muito bem que esse é mais um dia eleito pela mídia para fazer com que as pessoas consumam mais, mas é o bombardeio sobre o assunto que me faz desmoronar. Meu pai faz muita falta; ele era um pai de verdade. E ouvir a cada dois minutos (às vezes até menos) que devemos celebrar este dia, é como se eu estivesse sendo lembrada na mesma freqüência da ausência do meu pai, da falta que ele faz. É horrível ter que encarar estes dias eleitos para comemorar a presença desta ou aquela pessoa na vida da gente, quando o que há é a ausência.
Fico pensando não só na minha angústia, mas na angústia de todos aqueles que não querem ser lembrados da ausência de alguém... Essas comemorações passam feito rolo compressor por cima de pessoas que, por um motivo ou outro, não têm o que comemorar. E então você pode me perguntar: "Mas por que você não celebra o pai maravilhoso que teve?" Respondo com outra pergunta: "Como celebrar a perda de alguém maravilhoso?" Não sei. Levar flores ao cemitério é triste demais para mim...
Pensando nestas comemorações é que me vem à cabeça uma frase que ouvi um dia desses: "Alguém tem que chorar para um outro sorrir." É verdade. E por isso me recolho na minha pequeninice, no cantinho do meu quarto, e choro baixinho para não superar as risadas do vizinho...

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Complô Interno

Estava lendo o blog de um amigo e li o seguinte: "Memórias são involuntárias." Sim. As filhas-da-mãe das memórias surgem quando você menos espera. Ou pior: quando você não esperava e queria que elas já estivessem extintas, retornam como um elemento de tortura. Sim, elas surgem como se nosso cérebro (outro filho-da-mãe) estivesse de sacanagem com a gente, como se houvesse um grande complô interno contra a nossa capacidade de resistir. Sim, porque as memórias vêm e minam a nossa resistência, teimam em quebrar aquele muro que tentamos construir colocando um mísero tijolinho por dia. E, o que fazer? Bem, estou aceitando sugestões... Deixem suas contribuições, por favor!

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Nostalgia

Fui visitar a minha vó! Sim, há muito tempo eu sentia uma vontade enorme de ver a Juju de pertinho e abraçá-la bem apertado. E consegui fazer isso; ao chegar lá, abri o portão (que nunca fica trancado) e já ia gritando "Vóóóó!!!!" (coisa que faço desde que me lembro da primeira visita à minha avó), quando ela abriu a porta por simples transmissão de pensamento! Que doce coincidência, que doce e sublime conexão. As vós são segundas mães e não é à toa que a gente se sente muito ligado à elas. Sempre pude contar com a presença das minhas duas avós e me lembro de achar estranho não ter um avô por perto. Sim, eu infelizmente não convivi com nenhum deles por motivos diversos, então só tive o prazer de curtir as minhas avós. As duas sempre foram muito diferentes, por isso acredito que isso somente enriqueceu a minha experiência. A Vó Nina já faleceu há quase dez anos, mas deixou um navio de recordações gostosas: doce de moranga, arroz doce, bolinho de chuva, almoço no domingo ao som de Julio Iglesias, cheirinho de talco depois do banho, cartões de aniversário cheios de inspiração, programa Silvio Santos no domingo. Ai que saudade! Sempre foi muito disciplinadora e não permitia bagunça, mas sempre contava histórias sobre sua vida. Já a Vó Jurema (ou Juju) sempre foi a vó que deixava que os netos fizessem tudo! Sua casa era o paraíso para a bagunça. Ainda me lembro, como se fosse hoje, das portas de armários abertas, sofás e poltronas fora do lugar, de usar os sapatos de salto dela, de correr pelo quintal cheio de grama e árvores, de quase colocar fogo na garagem, fazer enterro simbólico do cachorro, enfim, de curtir muito a minha criancice sem limite junto com as minhas irmãs. Como era bom! Além de 'aprontar', aprendemos a costurar e a fazer tricô e crochê. Bons tempos... Olhei pra Juju e vi um filminho passar... Deu uma vontade enorme de deitar com a cabeça no colo dela e curtir o cafuné que ela sempre fez tão bem. Não deu tempo de curtir isso, mas a gente tomou café juntas e assistiu ao jogo do Brasil; torcemos, ficamos nervosas e tomamos água com açúcar juntas para aliviar a tensão da disputa dos pênaltis. Amo muito a minha vó. Sinto muito a falta dela. Ao ir embora, fiquei observando ela fazer o que sempre fez: acenou em pé junto ao portão até o carro sumir na esquina.

sábado, 7 de julho de 2007

Noite das Meninas!

Hoje aconteceu um encontrão bom demais!!! Minhas 'former workmates' e amigas saíram comigo; fomos para o mesmo batlocal de sempre (Warm Up) para brindar o nosso reencontro. Stella, Vera (operada!), Gizele, Jenny, Thais, Roberta e eu nos divertimos muito, colocamos as novidades em dia e bebemos, é claro! Foi inspirador!

sábado, 30 de setembro de 2006

Luto

Fim de semana. Fim do mês. Dinheiro no fim. Se meu pai estivesse vivo hoje, ele completaria 55 anos. Provei pasteizinhos tailandeses e indianos. Uma delícia! Consegui resolver o problema cabeludo! Meu aparelho de depilação voltou a funcionar. Pizza e vinho no final do dia para dissolver as tristezas e suavizar a saudade. Viva o torpor do vinho!