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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Pequena Grande Diferença



O que diferencia o homem dos demais animais não é simplesmente a sua razão. O homem tem consciência de sua morte. O homem vive para adiar sua morte. Desta maneira, vive para não morrer. E isto faz toda a diferença. Os animais vivem um momento de cada vez, garantindo sua sobrevivência no agora, sem pensar no depois. Sendo assim, vivem por viver. E isto faz toda a diferença.

domingo, 7 de setembro de 2008

Solidão I

Uma simples homenagem aos domingos de solidão, aqueles que vêm e vão.
Para o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=XYKPyjH2sVQ.

Lonely Day
(System of a Down)


Such a lonely day
And it's mine
The most loneliest day of my life

Such a lonely day
Should be banned
It's a day that I can't stand

The most loneliest day of my life
The most loneliest day of my life

Such a lonely day
Shouldn't exist
It's a day that I'll never miss
Such a lonely day
And it's mine
The most loneliest day of my life

And if you go, I wanna go with you
And if you die, I wanna die with you
Take your hand and walk away

The most loneliest day of my life
The most loneliest day of my life
The most loneliest day of my life
Life

Such a lonely day
And it's mine
It's a day that I'm glad I survived


Dia Solitário
(tradução: B.Borges)

Um dia tão solitário
E é meu
O dia mais solitário da minha vida

Um dia tão solitário
Deveria ser proibido
É um dia que não consigo suportar

O dia mais solitário da minha vida
O dia mais solitário da minha vida

Um dia tão solitário
Não deveria existir
Um dia do qual jamais sentirei falta
Um dia tão solitário
E é meu
O dia mais solitário da minha vida

E se você for, quero ir com você
E se você morrer, quero morrer com você
Pegar sua mão e ir embora

O dia mais solitário da minha vida
O dia mais solitário da minha vida
O dia mais solitário da minha vida
Vida

Um dia tão solitário
E é meu
Um dia que agradeço por ter sobrevivido

quinta-feira, 10 de julho de 2008

sem título I



Decidi postar um poema de Bukowski em homenagem a um amigo que decidiu sair de cena à sua maneira. Já sinto saudade.

Cause and Effect

(Charles Bukowski)

the best often die by their own hand

just to get away,
and those left behind
can never quite understand
why anybody
would ever want to
get away
from
them

Causa e Efeito
(tradução: B.Borges)
os melhores geralmente morrem pelas próprias mãos
apenas para escapar,
e aqueles deixados para trás
nunca conseguem entender bem
por que alguém
quereria alguma vez
escapar
deles

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Morrer

Inaugurando o mês de Novembro, aquele que já começa com um feriadinho chamado ‘Finados’, nada melhor do que falar sobre morrer. Você faz alguma idéia do que irá passar na sua frente caso morra hoje? Sim, sabe aquele segundo antes de morrermos, no qual (dizem) a vida de cada um passa como se fosse um filme? De acordo com o personagem do Kevin Spacey no filme ‘Beleza Americana’, este segundo se estende como um oceano de tempo. Ao escutar o que ele disse, concluí que nem tudo vai passar na sua frente, apenas o que for relevante. Segue aí o discurso dele ao final do filme. Leiam, reflitam, viajem... E como é difícil não se prender a este sopro que temos de vida. Só isso.

“I’d always heard your entire life flashes in front of your eyes the second before you die. First of all, that one second isn’t a second at all. It stretches on for ever like an ocean of time. For me, it was lying on my back at boys scout camp, watching falling stars. And yellow leaves from the maple trees that lined our street. Or my grandmother’s hands and the way her skin seemed like paper. And the first time I saw my cousin Tony’s brand new Firebird. And Janie… And Janie… And Carolyn. I guess I could be pretty pissed off about what happened to me, but it’s hard to stay mad when there’s so much beauty in the world. Sometimes I feel like I’m seeing it all at once and it’s too much. My heart fills up like a balloon that’s about to burst. And then I remember to relax and stop trying to hold on to it. And then it flows through me like rain and I can’t feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life. You have no idea what I’m talking about, I’m sure. But don’t worry. You will someday.”

(Sempre ouvi que sua vida inteira passa diante de seus olhos no segundo antes de você morrer. Primeiro, esse segundo não é um segundo mesmo. Ele se estende como um oceano de tempo. Pra mim, foi deitar no acampamento de escoteiros e ver estrelas caindo. E folhas amareladas das árvores ao longo da nossa rua. Ou as mãos da minha avó e como sua pele parecia papel. E a primeira vez que vi o Firebird zerinho do meu primo Tony. E Janie (sua filha)... E Janie... E Carolyn (sua esposa). Acho que eu podia estar muito puto com o que me aconteceu, mas é difícil ficar com raiva quando há tanta beleza no mundo. Ás vezes sinto que estou vendo tudo isso de uma só vez e é muita coisa. Meu coração se enche como um balão que vai estourar. E então me lembro de relaxar e paro de me prender a isso. E então tudo flui através de mim como a chuva e não consigo sentir nada além de gratidão por cada momento da minha vidinha estúpida. Você não deve fazer a mínima idéia do que estou falando, tenho certeza. Não se preocupe. Você vai, um dia.)

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Dia dos Pais

Ontem foi dia dos pais. Há 12 anos esse dia me incomoda... Ao longo desse tempo tento desenvolver estratégias para fazer com que o dia passe, aliás, a época passe e eu não me machuque tanto com a falta do meu próprio pai. Dessa vez eu entrei num processo de alienação total no domingo: ouvi música, fiz faxina no meu quarto, vi dois filmes locados e não fui a qualquer restaurante ou shopping. Tudo para me manter longe do mundo que celebrava a presença dos pais.
Eu sei muito bem que esse é mais um dia eleito pela mídia para fazer com que as pessoas consumam mais, mas é o bombardeio sobre o assunto que me faz desmoronar. Meu pai faz muita falta; ele era um pai de verdade. E ouvir a cada dois minutos (às vezes até menos) que devemos celebrar este dia, é como se eu estivesse sendo lembrada na mesma freqüência da ausência do meu pai, da falta que ele faz. É horrível ter que encarar estes dias eleitos para comemorar a presença desta ou aquela pessoa na vida da gente, quando o que há é a ausência.
Fico pensando não só na minha angústia, mas na angústia de todos aqueles que não querem ser lembrados da ausência de alguém... Essas comemorações passam feito rolo compressor por cima de pessoas que, por um motivo ou outro, não têm o que comemorar. E então você pode me perguntar: "Mas por que você não celebra o pai maravilhoso que teve?" Respondo com outra pergunta: "Como celebrar a perda de alguém maravilhoso?" Não sei. Levar flores ao cemitério é triste demais para mim...
Pensando nestas comemorações é que me vem à cabeça uma frase que ouvi um dia desses: "Alguém tem que chorar para um outro sorrir." É verdade. E por isso me recolho na minha pequeninice, no cantinho do meu quarto, e choro baixinho para não superar as risadas do vizinho...