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terça-feira, 5 de agosto de 2008
De repente 30
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Morrer

Inaugurando o mês de Novembro, aquele que já começa com um feriadinho chamado ‘Finados’, nada melhor do que falar sobre morrer. Você faz alguma idéia do que irá passar na sua frente caso morra hoje? Sim, sabe aquele segundo antes de morrermos, no qual (dizem) a vida de cada um passa como se fosse um filme? De acordo com o personagem do Kevin Spacey no filme ‘Beleza Americana’, este segundo se estende como um oceano de tempo. Ao escutar o que ele disse, concluí que nem tudo vai passar na sua frente, apenas o que for relevante. Segue aí o discurso dele ao final do filme. Leiam, reflitam, viajem... E como é difícil não se prender a este sopro que temos de vida. Só isso.
“I’d always heard your entire life flashes in front of your eyes the second before you die. First of all, that one second isn’t a second at all. It stretches on for ever like an ocean of time. For me, it was lying on my back at boys scout camp, watching falling stars. And yellow leaves from the maple trees that lined our street. Or my grandmother’s hands and the way her skin seemed like paper. And the first time I saw my cousin Tony’s brand new Firebird. And Janie… And Janie… And Carolyn. I guess I could be pretty pissed off about what happened to me, but it’s hard to stay mad when there’s so much beauty in the world. Sometimes I feel like I’m seeing it all at once and it’s too much. My heart fills up like a balloon that’s about to burst. And then I remember to relax and stop trying to hold on to it. And then it flows through me like rain and I can’t feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life. You have no idea what I’m talking about, I’m sure. But don’t worry. You will someday.”
(Sempre ouvi que sua vida inteira passa diante de seus olhos no segundo antes de você morrer. Primeiro, esse segundo não é um segundo mesmo. Ele se estende como um oceano de tempo. Pra mim, foi deitar no acampamento de escoteiros e ver estrelas caindo. E folhas amareladas das árvores ao longo da nossa rua. Ou as mãos da minha avó e como sua pele parecia papel. E a primeira vez que vi o Firebird zerinho do meu primo Tony. E Janie (sua filha)... E Janie... E Carolyn (sua esposa). Acho que eu podia estar muito puto com o que me aconteceu, mas é difícil ficar com raiva quando há tanta beleza no mundo. Ás vezes sinto que estou vendo tudo isso de uma só vez e é muita coisa. Meu coração se enche como um balão que vai estourar. E então me lembro de relaxar e paro de me prender a isso. E então tudo flui através de mim como a chuva e não consigo sentir nada além de gratidão por cada momento da minha vidinha estúpida. Você não deve fazer a mínima idéia do que estou falando, tenho certeza. Não se preocupe. Você vai, um dia.)
“I’d always heard your entire life flashes in front of your eyes the second before you die. First of all, that one second isn’t a second at all. It stretches on for ever like an ocean of time. For me, it was lying on my back at boys scout camp, watching falling stars. And yellow leaves from the maple trees that lined our street. Or my grandmother’s hands and the way her skin seemed like paper. And the first time I saw my cousin Tony’s brand new Firebird. And Janie… And Janie… And Carolyn. I guess I could be pretty pissed off about what happened to me, but it’s hard to stay mad when there’s so much beauty in the world. Sometimes I feel like I’m seeing it all at once and it’s too much. My heart fills up like a balloon that’s about to burst. And then I remember to relax and stop trying to hold on to it. And then it flows through me like rain and I can’t feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life. You have no idea what I’m talking about, I’m sure. But don’t worry. You will someday.”
(Sempre ouvi que sua vida inteira passa diante de seus olhos no segundo antes de você morrer. Primeiro, esse segundo não é um segundo mesmo. Ele se estende como um oceano de tempo. Pra mim, foi deitar no acampamento de escoteiros e ver estrelas caindo. E folhas amareladas das árvores ao longo da nossa rua. Ou as mãos da minha avó e como sua pele parecia papel. E a primeira vez que vi o Firebird zerinho do meu primo Tony. E Janie (sua filha)... E Janie... E Carolyn (sua esposa). Acho que eu podia estar muito puto com o que me aconteceu, mas é difícil ficar com raiva quando há tanta beleza no mundo. Ás vezes sinto que estou vendo tudo isso de uma só vez e é muita coisa. Meu coração se enche como um balão que vai estourar. E então me lembro de relaxar e paro de me prender a isso. E então tudo flui através de mim como a chuva e não consigo sentir nada além de gratidão por cada momento da minha vidinha estúpida. Você não deve fazer a mínima idéia do que estou falando, tenho certeza. Não se preocupe. Você vai, um dia.)
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Coisinhas...
Arrumava as minhas malas para aproveitar as minhas merecidas férias, separando o que era necessário do que era extremamente necessário, quando me peguei encontrando objetos carregados de memória. Sim. Sabe aquelas coisinhas que ficam guardadas nos fundos das gavetas ou esquecidas numa mala, ou, ainda, perdidas no armário? Pois é. Estou falando dessas coisinhas que carregam consigo histórias gigantes, momentos marcantes, de riso e de dor, e que, ao pegá-las, a gente sente uma corrente passando por dentro, seguindo direto para o cérebro e sente, então, bater mais forte o coração. E a gente senta, pasmado, vendo um filme passar e revive tudo o que, provavelmente, sofreu para sufocar. Ou, ainda, se enche de entusiasmo ao tocar o ingresso do show daquela banda, momento no qual você atingiu o êxtase cantando com as mãos para o alto. Ou aquela caneta que já não escreve mais, mas foi a cúmplice de tantos cartões escritos em nome de um amor que jamais acabaria. Aquela meia que já não tem mais o par, mas que já te aqueceu tantas vezes naquelas noites solitárias em frente à TV na sala de estar...
Nós temos um museu particular dentro das gavetas, malas e armários que nos permitem fazer memória da nossa história, reviver sentimentos e, talvez, entender um pouco mais o que somos e como chegamos até aqui. Por outro lado, pra caminhar pra frente, creio que seja necessário jogar fora algumas coisinhas ou armários inteiros. Penso que a nostalgia pode ser altamente maléfica para aqueles que precisam descobrir o novo, desbravar o futuro. Não acho razoável ficar apenas preso ao passado, colecionando estes objetos em caixas sem fim. Até mesmo porque, dentro dessas mesmas caixas, estão estocados amarguras e rancores, além das alegrias e fervores. Uma faxina de vez em quando é pra lá de necessária pra deixarmos o peso do passado pra trás e conseguirmos a leveza necessária para seguir adiante.
Não sei porquê, mas me veio um trecho de música cantada pela Maria Bethânia nesse momento... Vou colocá-lo aqui:
"Cada um de nós compõe a sua história
e cada ser em si carrega o dom de ser capaz
e ser feliz."
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Complô Interno
Estava lendo o blog de um amigo e li o seguinte: "Memórias são involuntárias." Sim. As filhas-da-mãe das memórias surgem quando você menos espera. Ou pior: quando você não esperava e queria que elas já estivessem extintas, retornam como um elemento de tortura. Sim, elas surgem como se nosso cérebro (outro filho-da-mãe) estivesse de sacanagem com a gente, como se houvesse um grande complô interno contra a nossa capacidade de resistir. Sim, porque as memórias vêm e minam a nossa resistência, teimam em quebrar aquele muro que tentamos construir colocando um mísero tijolinho por dia. E, o que fazer? Bem, estou aceitando sugestões... Deixem suas contribuições, por favor!
quarta-feira, 11 de julho de 2007
Nostalgia
Fui visitar a minha vó! Sim, há muito tempo eu sentia uma vontade enorme de ver a Juju de pertinho e abraçá-la bem apertado. E consegui fazer isso; ao chegar lá, abri o portão (que nunca fica trancado) e já ia gritando "Vóóóó!!!!" (coisa que faço desde que me lembro da primeira visita à minha avó), quando ela abriu a porta por simples transmissão de pensamento! Que doce coincidência, que doce e sublime conexão. As vós são segundas mães e não é à toa que a gente se sente muito ligado à elas. Sempre pude contar com a presença das minhas duas avós e me lembro de achar estranho não ter um avô por perto. Sim, eu infelizmente não convivi com nenhum deles por motivos diversos, então só tive o prazer de curtir as minhas avós. As duas sempre foram muito diferentes, por isso acredito que isso somente enriqueceu a minha experiência. A Vó Nina já faleceu há quase dez anos, mas deixou um navio de recordações gostosas: doce de moranga, arroz doce, bolinho de chuva, almoço no domingo ao som de Julio Iglesias, cheirinho de talco depois do banho, cartões de aniversário cheios de inspiração, programa Silvio Santos no domingo. Ai que saudade! Sempre foi muito disciplinadora e não permitia bagunça, mas sempre contava histórias sobre sua vida. Já a Vó Jurema (ou Juju) sempre foi a vó que deixava que os netos fizessem tudo! Sua casa era o paraíso para a bagunça. Ainda me lembro, como se fosse hoje, das portas de armários abertas, sofás e poltronas fora do lugar, de usar os sapatos de salto dela, de correr pelo quintal cheio de grama e árvores, de quase colocar fogo na garagem, fazer enterro simbólico do cachorro, enfim, de curtir muito a minha criancice sem limite junto com as minhas irmãs. Como era bom! Além de 'aprontar', aprendemos a costurar e a fazer tricô e crochê. Bons tempos... Olhei pra Juju e vi um filminho passar... Deu uma vontade enorme de deitar com a cabeça no colo dela e curtir o cafuné que ela sempre fez tão bem. Não deu tempo de curtir isso, mas a gente tomou café juntas e assistiu ao jogo do Brasil; torcemos, ficamos nervosas e tomamos água com açúcar juntas para aliviar a tensão da disputa dos pênaltis. Amo muito a minha vó. Sinto muito a falta dela. Ao ir embora, fiquei observando ela fazer o que sempre fez: acenou em pé junto ao portão até o carro sumir na esquina.
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Memórias da Falsa Carioca no Cerrado by Bianca Cristina Borges da Costa is licensed under a Creative Commons Atribuição-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
