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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Problema meu? Não! Problema nosso!

Antes de prosseguir com o post, gostaria de dizer que não sou feminista. Já manifestei isso aqui no blog, num outro post, mas é sempre bom repetir... Penso que radicalismo, de maneira geral, não é uma boa ideia. E, por isso também, não apoio o machismo e suas variações (entre outros vários motivos...).

Bom, cá estou eu curtindo minhas merecidas férias, de volta à minha origem fluminense! Comecei minha peregrinação no Rio e segui para Volta Redonda, minha cidade natal, onde não pisava há 7 meses. Para aqueles que não sabem, VR é uma cidade localizada no sul do Estado do Rio de Janeiro, conhecida como a Cidade do Aço, graças à instalação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). VR tem cerca de 400 mil habitantes e funciona como pólo de estudo, trabalho e diversão. Entre uma conversa e outra sobre as muitas questões mais polêmicas que habitam o espaço entre o céu e a terra, escutei a seguinte colocação feita por uma integrante do sexo feminino: "(...) mas, Bianca, as tarefas domésticas são, de certa forma, de responsabilidade da mulher."


Pára tudo.  o.O

Do site http://www.jan-leasure.com/spring-cleaning-tips.


Ouvir aquela colocação me deixou tão irritada, que acho até que perdi um pouco a linha na hora... Primeiro, isso coloca no lixo todos os anos de luta do Movimento Feminista, que buscou (e ainda busca) a igualdade de direitos para homens e mulheres. Não sou (tão) inocente para afirmar aqui que as mulheres já competem em pé de igualdade com os homens no mercado de trabalho, nem que elas recebam salários compatíveis com as mesmas horas trabalhadas por eles. Também sei que, ainda hoje, as mulheres são discriminadas em certas profissões simplesmente por não serem do sexo masculino. Mas não podemos mais continuar pactuando com a ideia de que tudo o que se refira à limpeza e à organização de um lar seja de responsabilidade exclusiva das mulheres.

Do site http://o5.com/daily-weekly-and-monthly-cleaning-checklists-for-every-room.


Além disso, foi impossível não parar pra pensar na minha condição: casada, dividindo espaço com um ser humano do sexo masculino, os dois trabalhando para sustentar a casa. O que faz de mim a única responsável por organizar o ambiente onde vivemos? O que faz de mim a única pessoa escolhida para se importar com a limpeza da casa que habitamos? Hein? Hein? 


Se existem duas (ou mais) pessoas morando no mesmo espaço, por que é que o elemento do sexo feminino é quem deve se preocupar com a limpeza e a organização? Os homens são imunes à sujeira e à desorganização? A falta de limpeza e organização somente faz mal à saúde das mulheres? Os homens são, por um acaso, incapazes de reconhecer as melhorias que podem ser implementadas numa casa? Tenho certeza que não.


Então, por que ainda ouvimos esse tipo de colocação?


Do site http://www.bgrservice.com/services.


Na minha opinião, ainda existem muitos machistas por aí, homens e mulheres. Sim, mulheres. O pensamento machista afeta os dois grupos. Um sustenta o posicionamento do outro: para mulheres que aceitam a responsabilidade das tarefas domésticas, há homens dispostos a não se responsabilizarem por elas. Uma atitude alimenta a outra.


E será que este tipo de pensamento se esgotará um dia? Não sei. Só sei que EU não serei responsável por passá-lo adiante. Ever!

domingo, 14 de agosto de 2011

Sobre o masculino

Lá estava eu a ter minha paciência testada com todas as declarações sobre o dia dos pais... Mais um ano em que sou bombardeada com toda a propaganda, as mensagens, o blá-blá-blá sobre os heróis da casa, etc e tal. Tudo isso continua a me fazer mal e a me desgastar. Fujo o quanto posso dessa coisa toda, mas o Universo curte dar aquela torturadinha na minha pessoa...


Bianca: "Oi, boa tarde. Eu quero levar essa sombra. Quanto custa?"
Vendedora: "Oi! Ah! Ela tá em promoção! O preço está ótimo! Só 39,90."
Bianca: "Tá bom. Vou levar."
Vendedora: "Por que você não aproveita e leva também o lápis? Tudo para os olhos está em promoção!"
Bianca (querendo resolver tudo o mais rápido que pudesse pra poder sair do maldito shopping): "Não, obrigada. Eu quero somente a sombra."
Vendedora: "E o presente pro seu pai? Você já comprou? Aproveita! A gente tem..."
Bianca (cortando a vendedora): "Obrigada, mas meu pai já faleceu."
Vendedora (insistente e sem noção): "E pro seu marido?"


Bom, não vou me prolongar contando o resto da cena... Aqueles que me conhecem já sabem a cara que eu fiz e que estava a um passo de deixar a mulher falando sozinha. Bom, vou abrir um parêntese aqui pra fazer um comentário sobre um assunto, que não será o tema deste post: o intrometimento de certos vendedores. Cara, alguns deles não têm uma gota de desconfiômetro! Se uma pessoa diz que vai levar somente uma coisa, deixe-a levar aquilo que foi buscar. E mais: "seu marido?!" E se eu fosse lésbica?! E se fosse viúva?! Alguém tem que colocar um freio nessa indiscrição-em-nome-dos-lucros! E fecho o parêntese!

Como já disse, o ponto deste post aqui não é a indiscrição dos vendedores, mas minha reflexão sobre mais um dia dos pais sem o meu pai. A gente até cria um certo calo por conta da vida, e eu, pelo menos, sempre acabo refletindo sobre a falta do meu pai.

Neste ano, acabei, por acaso, assistindo a um episódio da segunda temporada de Mad Men, em que Don Draper, numa conversa com seu filhinho, fala sobre não ter mais seu pai. Daí, o pequeno responde: "We have to find you a new Dad!" (Nós temos que achar um novo pai pra você!). (Mais uma torturadinha do Universo, bem no Dia dos Pais!)

Well, comecei a pensar nisso, no fato de encontrar um "new Dad"... E pensei, também, na ausência de figuras masculinas ao longo da minha vida: meu avô materno faleceu 7 meses antes de eu nascer; meu avô paterno saiu de casa e não queria netas, só netos; meu pai faleceu quando eu tinha 16 anos. Gente, sempre fiquei cercada por um universo de mulheres: mãe, duas irmãs, duas avós batalhadoras, mais de 10 tias. (Isso sem falar das minhas roommates...) Na minha casa, não tínhamos um garoto que fizesse as coisas, não tínhamos um rapaz que chamasse o garçom, não tínhamos um homem que cuidasse do carro. Éramos meninas que tinham de fazer de tudo. 

Depois de reconhecer o inevitável, comecei a pensar no quão masculina eu me tornei ao longo desses anos... Não quero que vocês entendam que eu falo grosso, só tenho calças no meu armário ou, ainda, tenha uma queda por garotas. O que eu quero dizer é que comecei a ficar cada vez mais pró-ativa, tomando a iniciativa de fazer as coisas, consertando o chuveiro, usando a furadeira, chamando o garçom (mesmo acompanhada de 'um homem'), negociando assentos no cinema, entendendo como funciona um carro, sendo menos sentimental e mais prática nos meus relacionamentos... 

Acho que ao invés de achar um "new Dad", me aproximei de várias figuras masculinas e decidi aprender com elas, decidi fazer por mim o que não pude conseguir a partir do meu pai, dada a sua ausência forçada. Eu tive sete namorados, gente! (Minha pesquisa de campo foi incrível!) Quando comparo a Bianca que eu era aos 16 anos, sempre boba e romântica, com aquela que sou hoje, fico um tanto surpresa. E começo a pensar que a ausência física do meu pai não foi tão prejudicial assim.

Sei que, ao ler esta minha declaração aqui, muita gente vai achar que sou insensível. Não me importo com isso. O que me importa é que eu tenho uma história linda pra contar sobre o pai mais maravilhoso do mundo, que cuidou sempre de mim e que, se ausentando, me deu a enorme chance de crescer e ser a mulher-meio-homenzinho que sou hoje. A ele, a minha gratidão... e meu manifesto de sempre-saudade.


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Sobre a Paixão e o Amor

Li no blog de um colega. Já que o que é bom é para ser dividido com os outros, coloco aqui o pequeno texto que, penso eu, justifica o que eu disse no meu último post.



"O Beijo" - Pablo Picasso

"Paixão é fome e só floresce na ausência do objeto amado. Mais precisamente, vive da ausência do objeto amado. A pessoa apaixonada não enxerga o outro, vê o que projeta nele. No amor, é possível perceber o outro e "apesar de", ainda amá-lo. Já a paixão não resiste ao tempo nem ao teste de realidade."

*** Texto de Ingrid Esslinger, postado por Rafael Gidra em http://alelodominante.blogspot.com/.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

...não há fusão.

Estética da Criação Verbal - Mikhail Bakhtin: Quando contemplo um homem situado fora de mim e à minha frente, nossos horizontes concretos, tais como são efetivamente vividos por nós dois, não coincidem. Por mais perto de mim que possa estar esse outro, sempre serei e saberei algo que ele próprio, na posição que ocupa, e que o situa fora de mim e à minha frente, não pode ver: as partes de seu corpo inacessíveis ao seu próprio olhar, – a cabeça, o rosto, a expressão do rosto - o mundo ao qual ele dá as costas, toda uma série de objetos e de relações que, em função da respectiva relação em que podemos situar-nos, são acessíveis a mim e inacessíveis a ele. Quando estamos nos olhando, dois mundos diferentes se refletem na pupila dos nossos olhos. Graças a posições apropriadas, é possível reduzir ao mínimo essa diferença dos horizontes, mas para eliminá-la totalmente, seria preciso fundir-se em um, tornar-se um único homem.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Hipermétrope e Míope


Estava conversando com um amigo um dia desses e comentei sobre uma foto dele, na qual nada além de parte de seu sorriso aparecia. Fiz um elogio, mas ele replicou assim: "É... Até o que é imperfeito, a esta distância, parece perfeito." É, tudo depende da distância ideal. Não digo perto ou longe, mas ideal. Sabe quando a gente vai a uma mostra de quadros? Pois é, existe a distância ideal para observar cada quadro e isso significa nem tão longe, nem tão perto. E no cinema? É podre ter que ficar na primeira fila, quase quebrando o pescoço, porque chegou atrasado numa sessão muito disputada.

É isso. A distância muitas vezes possibilita a observação do todo, quando estamos longe. Quando vim parar aqui em Brasília, iniciei um processo muito doloroso de percepção, algo que só teve início porque me desloquei muito do ponto onde eu estava, do universo no qual estava imersa. E esta foi a distância perfeita para checar determinadas imperfeições, para perceber o desequilíbrio em algumas relações. Eu sofria de hipermetropia... E tinha duas opções: me distanciar ou usar os óculos certos. Bem, vocês já sabem que rumo eu tomei...

Por outro lado, a miopia também surge pra qualquer um... Chegar mais perto pode ser a solução em determinadas situações, porque viabiliza a detecção dos detalhes. E estes mesmos detalhes podem ser indispensáveis para a percepção equilibrada da realidade. Certas características pessoais são detectadas, incomodando ou fascinando, graças ao convívio. O exame minucioso de um copo pode revelar uma péssima lavagem... Ou que o copo simplesmente não é seu!

Bem, acredito que vale a pena aproveitar a mobilidade que temos para utilizarmos de maneira mais eficiente a nossa percepção do que está ao redor. Dar alguns passos pra frente ou pra trás podem propiciar uma visão menos desfocada. E creio que todos nós temos hipermetropia e miopia... Mas o fato é que a gente quase sempre percebe a necessidade dos óculos depois que já bateu com a testa em muitas paredes e portas por aí...

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Vermes

Eu deveria escrever sobre vermes hoje. Sim, num acordo feito na mesa de um bar, comemorando o meu aniversário, topei escrever sobre vermes. Vocês sabiam que eles são os únicos seres capazes de serem sempre monogâmicos? Sim, porque, ao escolherem o parceiro, macho e fêmea se fundem. Parece papo de boteco mesmo, né? Pois é... Deixando de lado a veracidade ou não desta informação, o que vale é que elas se fundem, se fodem, são um. Lindo isso!!! Os vermes são lindos. Ao invés de serem dois, tornam-se apenas um. E eu que achava que o número um fosse o mais solitário... Mas há pluralidade no um. Existem dois no um. Fico pensando se é realmente possível essa fusão; dois parceiros que se encontram, se completam, se fundem... Fico pensando na possibilidade disso ser a chave para uma relação que dê certo. Apesar de serem dois, tornarem-se um, sem deixar de serem seres individuais. Complicado isso, à primeira vista, mas razoável após uma ponderação mais racional. Essa solução me parece boa porque, ao vermos essa unidade e percebermos que fazemos parte de algo maior, preservamos isso. Magoaremos menos e respeitaremos mais. Acusaremos menos e assumiremos mais. É, os vermes têm mesmo muito a ensinar para os meros seres humanos.