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domingo, 22 de março de 2009

Fracasso

Fracasso. Trissílaba maldita. Entre um passo e outro, acontece. E eu não consigo administrá-lo. Não importa o tamanho, não suporto o fracasso. Não consigo acordar, me olhar no espelho e admitir que fracassei. E foi num domingo de fevereiro que falhei; apostei minhas forças, meu tempo e vi tudo correr para o ralo. Perdi. As fichas se foram e só sobrou a capacidade de jogar os dados mais uma vez. E percebo que preciso crescer muito para não ser testada de novo. Sim, porque o destino vai sempre empurrar não só a mim, mas a todos nós, para aquelas mesmas questões das quais preferimos fugir à resolvê-las. Não basta somente colocar um pouco de sal nesse sapo para engolir... Lá vou eu fazê-lo à milanesa, com purê e arroz para acompanhar... E me livrar de vez dessa incapacidade de fracassar!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Receita de Ano Novo


(Sem mais, deixo aqui um poema de Carlos Drummond de Andrade.)


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

E eles não foram felizes para sempre.

Porque os corações serão sempre magoados. Sim. Foram criados para serem magoados, esmagados, não levados em consideração. É uma questão de tempo. É cíclico. E é uma espiral ascendente. Vêm dor, lágrimas, vontade de sumir, pensamento que não varia, uma, duas, três garrafas de vinho. E quando se pensa que tudo acabou, que a fase ruim ficou para trás... Vêm dor, lágrimas, vontade de sumir, pensamento que não varia, uma, duas, três garrafas de vinho novamente. Mas não é igual. Jamais será. Porque cada um que vai deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. É fato. Não dá para sair imune, ileso, inteiro. É essa a questão para os não-finais felizes. Jamais existirão finais felizes. Desculpe decepcioná-lo, mas não creio que histórias se fecham, portanto, não há como avaliar os finais. Existe apenas um entra e sai, um vem e vai de pessoas. E nesse trânsito não há regras, não há normas, há apenas você e sua capacidade de se recompor a cada vez que seu coração-feito-para-ser-destruído é colocado à prova. Não, a outra pessoa jamais estará inteira com você. Não, você jamais estará inteiro com esta outra pessoa. Sim, a outra pessoa quer ganhar com a relação. E você também. E no momento que a balança for desfavorável, 'au revoir'. Não há como escapar disso. Portanto, pare de achar que 'desta vez vai dar certo' ou 'encontrei a pessoa certa pra mim'. Nada disso é totalmente possível. Existem oportunidades de estar bem, satisfeito e feliz. Aproveite as suas e se prepare para a queda. Ela vai acontecer quando você menos esperar.